Congelamento da Imagem

Primeiramente é preciso entender algumas coisas antes de falarmos sobre o congelamento de uma imagem, do objeto ou cena:

 

Diz-se congelar uma cena ou objeto o fato de tornar a captura fotográfica do mesmo de forma estática, sem apresentar nenhum tipo de rastro, risco ou tremido. E para tal chega a ser demasiado óbvio que trata-se de velocidade. Ok, mas de qual velocidade estamos falando? Da câmera? Do disparo em si? Sim, também, pois temos a velocidade da luz, mais propriamente dizendo a luz do flash. Mas como assim?

Bom, para congelarmos uma imagem ou objeto é preciso que:

1 – A velocidade do disparo seja rápida o suficiente para paralisar os movimentos. No entanto, sabemos que quanto maior a velocidade utilizada no disparo, mais forte deverá ser a iluminação da cena, ou maior deverá ser a abertura do diafragma, ou maior deverá ser o ISO utilizado. Há que se pensar se nenhuma dessas configurações explicitadas te impedirão de conseguir tal velocidade a ponto de executar o congelamento da cena ou objeto. Neste caso a potência da luz é praticamente o principal fator, pois ela é que permitirá ou não a utilização de grandes velocidades de disparo, visto que com uma câmera onde o ISO máximo vai somente até 6400, onde a lente é escura e sua abertura máxima é um f5.6, se a iluminação for ruim pode esquecer a foto, pois a câmera vai pedir uma velocidade baixa pra compensar essa subexposição.

2 – A velocidade da luz deve ser mais rápida do que o movimento da cena ou objeto. No entanto, sabemos que a utilização de luzes artificiais (flashes neste caso) é algo que, dependendo da cena ou objeto a ser fotografado, pode se tornar praticamente impossível ou requerer uma produção enorme! Isso porque quando um flash é disparado há um intervalo entre o acender e apagar da lâmpada do flash, sendo que quanto maior for a potência utilizada, maior este tempo. Sendo assim, se utilizado um flash com potências baixas a velocidade do acender e apagar dessa lâmpada pode chegar a 1/16.000, 1/30.000 ou até mais (vai depender do flash).

Tendo analisado estes dois pontos é hora de escolher o método a ser empregado e congelar tudo!

 

No primeiro caso, sem a utilização de flashes, apenas com luz natural, é preciso, então, que a iluminação da cena ou objeto seja suficiente. Por isso a necessidade de lentes luminosas e câmeras que tenham uma qualidade alta na captura de imagens em ISOs elevados, muito utilizado, por exemplo, em esportes. As teles/zoom 70-200mm f2.8, 300mm f2.8 e 400mm f2.8 são as lentes mais utilizadas, justamente por terem grande abertura (f2.8) e possuírem um zoom ou aproximação adequadas para objetos ou cenas que estejam distantes.

Quando utilizados juntos, uma lente clara, luminosa, com abertura grande e uma câmera com uma interpretação mais limpa da imagem ao serem utilizados ISOs mais altos, este conjunto passa a proporcionar a possibilidade de se trabalhar melhor com os outros dois fatores importantes no congelamento de imagens ou objetos, que é a velocidade do disparo e a luz que ilumina tal cena ou objeto.

Frequentemente existem esportes ou competições sendo realizados em ambientes fechados, onde a iluminação é precária aos olhos do seu equipamento e insuficiente para uma câmera comum, com recursos comuns, realizar a captura congelada dessa cena ou objeto. Quando acontecem à céu aberto, em dias de sol, é bem mais fácil e qualquer equipamento de entrada é perfeitamente capaz de realizar tal técnica. Suas limitações em termos de equipamento apenas lhe dirão o que você pode ou não fotografar, portanto, se não é um fotógrafo profissional que trabalhe exclusivamente numa área onde seja necessário tal investimento (pois são muito caros esses equipamentos), apenas escolha melhor as oportunidades do que fotografar e poderá obter resultados belíssimos!

Mas se trabalha numa dessas áreas e frequentemente recebe solicitações para fotografar sob condições ruins para se obter imagens nítidas, ai sim faz-se necessário tal investimento e é melhor preparar o bolso.

Outro fator importante para ganhar uma maior possibilidade de ajustes é descobrir a velocidade ideal do disparo para congelar determinada cena ou objeto. Exemplo: se você estiver numa pista automobilística fotografando um carro em alta velocidade, mas que seja um carro de uma categoria leve, como Marcas e Pilotos por exemplo, terá uma velocidade X para congelar o movimento desses carros. Esta velocidade será diferente se estiver fotografando uma corrida de F1, visto que os carros são muito mais rápidos e requerem uma velocidade de disparo maior para seu congelamento. E assim acontece com cada tipo de esporte. Na natação é uma velocidade, no basquete é outra, uma dança como a valsa é uma, um street dance é outra, etc. Encontrar, portanto, a velocidade ideal que consiga congelar o movimento de determinada cena ou objeto é ganhar configurações extras como a utilização de ISO mais baixo, ou aberturas menores.

 

Mas então é só utilizar flashes pra ajudar, não é mesmo? Não. Não é tão simples assim.

Com a utilização de luzes artificiais (os flashes) você terá outros problemas como posicionamento dos mesmos, movimentação da cena ou objetos, outros equipamentos necessários para que os flashes disparem em alta velocidade, etc. Então, quando falamos sobre utilização de luzes artificiais para o congelamento de imagem estamos dizendo que você terá muito trabalho pela frente para conseguir boas imagens, mas se fizer direitinho certamente conseguirá.

E uma das vantagens de se congelar utilizando a luz dos flashes, por exemplo, é que a emissão da luz em si pode ser mais rápida que a velocidade do disparo da câmera, o que te dá um congelamento da imagem também, mas sem utilização de grandes velocidades, aliás, pode ser feito até com velocidades muito baixas, pois o que vai congelar a imagem é a luz do flash e não da cena.

 

As velocidades de disparo das câmeras costumam ficar entre 1/4000s e 1/8000s, dependendo da câmera. A velocidade da luz dos flashes podem chegar, quando utilizado com cargas leves, em torno de 1/20.000s a 1/30.000s (geralmente).

Este método de congelamento com luz não é muito utilizado em esportes pela dificuldade de se utilizar flashes nesses locais, mas é muito utilizado em ensaios e estúdios onde a luz pode ser mais controlada e manuseada, afinal, é com ela que você vai fazer seu congelamento. Gotas de água, spashes, cabelos, tudo congeladinho, estáticos, com uma nitidez fantástica. Geralmente, nesse tipo de fotografia faz-se necessário a utilização de mais de um flash e o trabalho de sincronismo e posicionamento é bem complicadinho.

Outro fator interessante é a velocidade de sincronismo da câmera com o flash, que fica ai em torno de 1/160 a 1/250, dependendo da câmera. Existe a possibilidade de sincronizar o flash com disparos em alta velocidade, porém, estes consomem muito dos flashes. Lembram que foi dito que a velocidade dos flashes são maiores do que as velocidades do disparo? Pois então, se você vai fotografar alguma coisa e sua câmera tem a velocidade de disparo máxima em 1/4000, isso quer dizer que o flash terá que ficar ligado mais tempo, até preencher este intervalo de 1/4000 e, por consequência, terá uma sobrecarga. Dependendo da potência utilizada você pode até danificar um flash fazendo isso, e utilizar o modo “burst”, com disparos contínuos e rápidos, é praticamente pedir por um superaquecimento. Então, mesmo que se utilize flashes sincronizados em altas velocidades é importante ressaltar que não se deve utilizar a potência máxima ou altas. Fazer os cálculos pra se utilizar uma potência de média a baixa (tipo 1/32, 1/64, 1/128). Mas na verdade o flash é seu e você utiliza como quiser… isso aqui é só uma dica! rsrsrsrsrs

Alguns disparadores remotos possuem limitações quanto a alta velocidade de sincronismo. Quando forem adquirir seus rádio-disparadores levem em consideração estas características, procure nas especificações qual a velocidade máxima ou fixa de sincronismo em alta velocidade para que seja possível de utilizar seus flashes depois com essa técnica.

 

Lembrando que, tudo na fotografia está baseado em cima desses quatro pilares, dessas quatro possibilidades de manipulação, que são a abertura, a velocidade, o ISO e a luz. Se mexer em um deles, terá que ajustar os outros para conseguir equilibrar, harmonizar novamente sua exposição de forma correta

Estes, então, são os dois métodos para se obter  o congelamento de cenas ou objetos.

 

Até a próxima!

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2 comentários sobre “Congelamento da Imagem

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